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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Quem realmente mudou o jeito de ouvir música! Walkman


WALKMAN_PANASONIC_1.jpg

Em janeiro de 1979, o cofundador da Sony Akio Morita apresentou na Consumer Electronic Show (CES), em Las Vegas, um aparelho que, na década de 1980, mudou o jeito de as pessoas escutarem música. O equipamento, como contou o executivo no evento, surgiu meio que por acaso. É que o filho de Morita tinha o hábito de entrar na companhia carregando um rádio portátil. Isso atrapalhava o trabalho dos funcionários e incomodava o pai. Respondendo à reclamação, o jovem, um dia, perguntou por que não mandar alguém inventar algo melhor com um fone que preste. Aí veio o Walkman.
A história da origem do aparelho tem várias versões na internet. Mas o relato descrito acima é a lembrança do colunista do ‘Estado’ Ethevaldo Siqueira, que estava presente na CES e ouviu Morita associar a história do produto ao filho. O nome escolhido, Walkman, tinha raízes no Pressman, um gravador mono que a Sony havia lançado poucos anos antes, segundo o Pocket Calculator, uma espécie de museu online que rememora os eletrônicos das décadas de 1970 e 1980. A ideia de “homem que caminha” (walk + man, em inglês) transmitia a portabilidade do aparelho.
Não foi feita nenhuma pesquisa de mercado antes do lançamento do Walkman, como lembra o site. “A pesquisa de mercado está toda na minha cabeça!”, Morita disse em uma entrevista à Playboy em 1982. “Nós criamos mercado”. A primeira forma de convencer as pessoas a comprar algo que antes não existia foi usar pessoas influentes, como celebridades e artistas da indústria da música, para espalhar a futura moda. A Sony enviava Walkmans de graça a essas pessoas. E as campanhas de marketing batiam na tecla da juventude, da inovação e da liberdade. Era uma oportunidade (nova) de escutar músicas por meio de um fone – e em qualquer lugar.
walkman_fotopocket.jpg
A onda pegou no Japão, seguiu para os Estados Unidos e depois correu o mundo. Marcas como Panasonic, Toshiba e GE passaram a produzir aparelhos semelhantes e com nomes tão descolados quanto Escape, Intimate e Stereo-to-go. Mas, após a invenção da Sony, tudo que veio depois era “walkman” (assim como as lâminas de barbear chamadas de “gillette”, mesmo não sendo da Gillette).
E foi um walkman da Panasonic de cor branca que o leitor doRadar Tecnológico Juscelino Lima, hoje com 56 anos, comprou na loja Fototica do Shopping Iguatemi, em São Paulo, em 1983. O produto, modelo RQ-WJ1, é o que aparece na foto acima.
A compra foi motivada por uma visita ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde ocorria uma amostra de cinema. Lá ele viu, “pela primeira vez na vida”, um walkman, nas mãos de um cinéfilo. “Achei um barato os fones e o tamanho do aparelho”, diz Juscelino. “Antes (da chegada do walkman) os fones eram enormes e parecidos com os que hoje voltaram à moda.”
Ele gravava as músicas dos LPs nas fitas cassete e depois as ouvia no walkman. Não tinha rádio AM nem FM. “O que mais rolava era rock progressivo, King Crimson, Yes e Zappa”, conta. O aparelho era companheiro diário de Juscelino. Logo, manter as pilhas era um problema. (Não havia pilha recarregável naquela época.) Mas ele se resolveu. Passou a usar baterias da calculadora HP 25C no walkman, e um amigo engenheiro eletrônico ensinou a ele como montar um carregador de baterias alcalinas.
Virou item de primeira necessidade. Juscelino andava sempre com os bolsos da calça cheios de baterias e fitas cassete. Até para o trabalho ele levava o aparelho. O presidente da empresa, do setor de informática, chegou a repreender Juscelino com o olhar. O aparelho não era tão popular naquele tempo. E outra vez um diretor encontrou o jovem dançando ao som de Lou Reed. Mas o caso mais engraçado talvez tenha sido a brincadeira dos amigos. Juscelino conta que eles fingiam gritar coisas (movimentando os lábios, mas sem emitir som), para ele se sentir surdo.
Juscelino não se lembra de quanto pagou pelo walkman da Panasonic. Os primeiros aparelhos fabricados pela Sony no início dos anos 1980 custavam cerca de US$ 150 nos Estados Unidos, segundo o Pocket Calculator. Mas a concorrência fez os preços baixarem. E o walkman tornou-se, então, um aparelho para todos os bolsos e pessoas. Em anúncio exibido nesta página, a marca Mura exibe o walkman ao lado de pés em patins, sapato social, tênis e sandália.
A moda do walkman durou mais de dez anos. Acabou, aos poucos, depois do surgimento do tocador de CD portátil Discman, lançado pela própria Sony. Aí veio a tecnologia do mp3, por volta de 1999. Mais de cem modelos de reprodutores de mp3 foram lançados. ORio foi um dos mais famosos dessa época. Mas aí chegou o iPod, da Apple, em 2001.  A empresa fundada por Steve Jobs (1955-2011)havia vendido 350 milhões de iPods até setembro de 2012.
Estimativas do mercado mencionam a marca de 200 milhões de walkmans vendidos no mundo. Para ter mais detalhes do mercado, a reportagem solicitou entrevista com representante da Sony e com a Panasonic, mas as companhias disseram não ter porta-voz para falar sobre walkman. A Sony enviou uma linha do tempo com a evolução da marca Walkman, hoje representada pela letra W (“para estabelecer uma nova identidade para a era digital)”. Ela aparece em mp3 e mp4 players.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A CERVEJA: BEBENDO GATO POR LEBRE

É inexplicável que sejam tão omissas as autoridades brasileiras quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo

por Rogério Cezar de Cerqueira Leite (*), para a Folha, em 18 de janeiro de 2009
O Brasil é o quarto maior produtor de cerveja, com pouco mais de 10 bilhões de litros por ano. A China é o maior de todos, com 35 bilhões, e os EUA são o segundo, com 24 bilhões. A Alemanha vem em terceiro, com uma produção apenas 5% maior que a brasileira.
Segundo norma autorregulatória da indústria cervejeira alemã, a cerveja é composta única e exclusivamente por apenas três elementos, cevada, lúpulo e água, tendo como interveniente um fermento. Tradicionalmente, o termo malte designa única e precisamente a cevada germinada.
O malte pode substituir a cevada total ou parcialmente. A malandragem começa aqui. Com frequência, lê-se em rótulos de cervejas a expressão “cereais maltados” ou simplesmente “malte”, dissimulando assim a natureza do ingrediente principal na composição da bebida.
Com a aplicação desse termo a qualquer cereal germinado, a indústria cervejeira pode optar por cereais mais baratos, ocultando essa opção.
O poder da indústria cervejeira no Brasil (lobby, tráfico de influência etc.) deve ser imenso. Basta lembrar que convenceram as autoridades (in)competentes nacionais de que não estavam violentando normas que regulam a formação de monopólios ao agregar Brahma e Antártica -o que constituiria então cerca de 70% do consumo nacional- com o argumento de que só assim poderiam concorrer no mercado globalizado. Mas depois foram gostosamente absorvidas por uma multinacional do ramo, certamente uma forma sutil de realizar a concorrência prometida. E não foi tomada nenhuma providência.
Aliás, sempre que aparecia no cenário uma empresa nascente que, pela qualidade, pudesse despertar no brasileiro uma eventual discriminação quanto ao sabor, era ela acuada por todos os meios possíveis e finalmente absorvida, e sua produção, reduzida ao mesmo nível da mediocridade dos produtos das duas gigantes.
Aparentemente, o receio era o de que a população cervejeira, ao ser exposta a diferentes e mais sofisticados exemplos, desenvolvesse algum bom gosto e, consequentemente, passasse a demandar cerveja de qualidade.
A cerveja brasileira (com pequenas e honrosas exceções) é como pão de forma: mata a sede, mas não satisfaz o paladar exigente.
Para esclarecer a questão da má qualidade da cerveja brasileira, vamos fazer alguns cálculos.

A produção nacional de cevada tem ficado nos últimos anos entre 200 mil e 250 mil toneladas, das quais entre 60% e 80% são aproveitados pela indústria cervejeira. Essa produção agrícola tem sido suplementada por importação de quantidade equivalente. Em média, portanto, cerca de 400 mil toneladas de cevada são consumidas na indústria da cerveja no Brasil, presumindo-se que quase toda a importação tenha essa finalidade.
O índice de conversão entre a cevada e o álcool é, em média, de 220 litros por tonelada. Como as cervejas brasileiras têm um teor de álcool de 5%, podemos concluir que seria necessário que houvesse pelo menos seis vezes a quantidade de cevada hoje disponível para a indústria nacional da cerveja. Portanto, a menos que um fenômeno semelhante àquele do “milagre da multiplicação dos pães” esteja ocorrendo, o álcool proveniente da cevada na cerveja brasileira representa cerca de 15% do total.
Há pouco mais de duas décadas foi publicado um relatório de uma tradicional instituição científica do Estado de São Paulo segundo o qual análises de cervejas brasileiras mostravam que um pouco menos que 50% do conteúdo da bebida era proveniente de milho (obviamente sem considerar a água contida).
Como o índice de conversão de grão em álcool para o milho é 80% maior que para a cevada, podemos considerar que a conclusão do relatório em questão atua como álibi, pois satisfaria normas vigentes. Isso também explica a preferência dos produtores de cerveja pelo milho, pois os preços da tonelada dos dois cereais são aproximadamente os mesmos, apesar de consideráveis oscilações.
Esses números permitem, todavia, concluir que o milho (e outros eventuais cereais que não a cevada) constitui, em peso, quase três quartos da matéria-prima da cerveja brasileira, revelando sua vocação para homogeneização e crescente vulgaridade.
Outro determinante da baixa qualidade da cerveja brasileira é a adição de aditivos químicos para a conservação. O mal não está só nessa condição, mas na sua necessidade. O lúpulo em cervejas de qualidade, sejam “lagers”, sejam “ales”, é o componente responsável pela conservação -além, obviamente, de suas qualidades de paladar.
Depreende-se daí que os concentrados de lúpulo usados na cerveja brasileira são de baixa qualidade. O que é inexplicável e de lamentar, entretanto, é que as autoridades brasileiras, tão zelosas para com alimentos corriqueiros, sejam tão omissas quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo e permitam que o cidadão brasileiro beba gato por lebre.
(*) ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 78, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha .

A cerveja e o orgulho de quem faz o melhor
A indústria brasileira de cerveja zela pela qualidade de seu produto. Ela sabe que seu consumidor é exigente e tem muito bom gosto.
por Sílvio Luiz Reichert (*), para a Folha, em 30 de dezembro de 2009
Em artigo publicado no dia 18 (“A cerveja: bebendo gato por lebre”), o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite atacou duramente a indústria brasileira de cerveja, lançando mão de argumentos ora incorretos, ora infundados, mas sempre injustos. Argumentos que precisam ser refutados em nome de um setor que goza da confiança e da preferência de milhões de consumidores, que foram inaceitavelmente desinformados.
Para deixar claro que não aprecia o produto que é feito no Brasil e consumido e aprovado pelos brasileiros, o autor se vale de números errados e premissas levianas que não levam à conclusão por ele desejada, a de que a cerveja brasileira é ruim porque elaborada de maneira enganosa, na base da “malandragem”, utilizando-se de produtos de baixa qualidade, ludibriando o consumidor e afastando-o do que o autor considera “bom gosto”.
A indústria nacional de cerveja possui tradição de mais de cem anos e tem orgulho de produzir bebidas de altíssima qualidade, assumidamente mais leves, menos encorpadas, mais refrescantes, mais digestivas do que similares europeias e condizente com o clima brasileiro e com o que deseja o consumidor.
Ao contrário do que dá a entender o artigo, as grandes cervejarias obedecem à legislação brasileira, que determina que a porcentagem de malte (cevada submetida a processo controlado de germinação) contido no extrato que dá origem à bebida não pode ser menor do que 55%.
Os demais cereais que o mestre cervejeiro usa nas fórmulas, dentro da lei e das boas práticas da profissão e da produção, são não maltados, ao contrário do que diz o autor, e empregados para alcançar as características que se pretende: mais malte é igual a cerveja mais encorpada e mais pesada; menos malte (respeitando o mínimo de 55%) é igual a cerveja leve, refrescante, suave.
A segunda e incompreensível incorreção do físico vem no bojo de conta que ele faz para tentar convencer que a cerveja fabricada no Brasil utiliza outros produtos que não a cevada para ludibriar o consumidor. Prova: o Brasil não produz nem importa cevada suficiente para dar conta da demanda de malte dos fabricantes. De fato, não mesmo. Tanto que a maior parte do malte utilizado pelas grandes indústrias, algo em torno de 65% ou mais, é importado. Mas isso não entrou na conta do autor.
Da mesma forma, ele desconsidera que mais malte ou menos malte na cerveja é antes de tudo uma opção do mestre cervejeiro na formulação de seu produto. Em algumas marcas de grande penetração no nosso mercado, esse percentual chega a 100%. Trata-se de opção técnica, cujo único objetivo é justamente produzir um produto de acordo com a preferência do consumidor, nunca enganá-lo.
Claro que há gosto para tudo, tanto que fabricantes nacionais mantêm em seu portfólio inúmeras marcas importadas, belgas, alemãs e outras.
Mas essas marcas ocupam uma faixa inexpressiva do mercado, por um motivo muito simples: a imensa maioria prefere a cerveja brasileira.
Ainda para tentar convencer o leitor de que a “má qualidade” origina-se na opção por produtos ruins, o autor comete mais um erro: afirma que o índice de conversão do grão de milho em álcool é maior que o da cevada. Trata-se exatamente do oposto: a cevada tem rendimento de 67% na composição do extrato originário da cerveja, enquanto o milho atinge apenas 56% de rendimento.
Há ainda a contestar um argumento leviano e duplamente incorreto. O autor diz que a tal “má qualidade” seria, também, decorrência da utilização de conservantes químicos. As cervejarias brasileiras de primeira linha não usam conservante por dois motivos: primeiro, porque é ilegal, trata-se de prática vetada pela legislação; segundo, porque totalmente desnecessário, já que a conservação da cerveja de boa qualidade é garantida pelo seu próprio processo de fabricação.
Por fim, o autor mira suas baterias contra o lúpulo utilizado no Brasil, também este de “baixa qualidade”.
Talvez ele não saiba que o produto é importado da Europa (onde é utilizado inclusive no fabrico das cervejas alemãs, por ele citadas) e dos EUA, que mantêm rígidos padrões de qualidade para o produto.
Esse nível de desinformação se choca frontalmente com o patamar de excelência em que se encontra a indústria brasileira de cerveja. Trata-se de um setor que investe permanentemente em pesquisa e inovação, dispõe das mais modernas tecnologias e zela pela qualidade de seu produto porque tem plena consciência de que, diferentemente do que pensa o autor do artigo, seu consumidor é exigente e tem muito bom gosto.
(*) SILVIO LUIZ REICHERT, químico, mestre cervejeiro pela Doemens Fachakademie, da Alemanha, é vice-presidente de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da Anheuser-Busch Inbev.

Cerveja: o orgulho de quem fatura mais
Por que as cervejas belas, inglesas e alemãs que usam lúpulo de boa qualidade não precisam de antioxidantes e estabilizantes?
por Rogério Cezar de Cerqueira Leite, para a Folha, em 14 de janeiro de 2010
Em texto anônimo, assinado por um certo Silvio Luiz Reichert e intitulado “A cerveja e o orgulho de quem faz o melhor” (30/12), a multinacional de capital estrangeiro Anheuser-Busch Inbev, proprietária da AmBev, responde ao meu artigo “A cerveja: bebendo gato por lebre” (18/12/09).
Entretanto, não responde à principal acusação, a saber, o engodo de que foi vítima o governo e o povo brasileiro pela fusão Antártica-Brahma, quebrando princípios e a legislação contra a formação de cartéis com a desculpa de que, fundidas, poderiam enfrentar a competição com multinacionais -para ser o cartel, em seguida, absorvido por empresa estrangeira. Também não foi explicada a prática perversa de coação a cervejarias nascentes para depois absorvê-las e aniquilá-las ou banalizar seus produtos. Pois bem, a mentira tem muitas faces, como se vê em seguida.
1) Maranhão, mentira bem urdida (padre Vieira, “Quinto Domingo da Quaresma”). Diz o echadiço que “a maior parte do malte utilizado pelas grandes indústrias, algo em torno de 65% ou mais, é importado. Mas isso não entrou na conta do autor”. Ora, ou o trombeta não sabe ler, ou é intelectualmente apoucado, ou é mal-intencionado, ou os três, pois foi exatamente com a soma da cevada produzida no Brasil com a importada que foram feitas as minhas contas.
2) Patranha, mentira para tolos, crédulos. Afirmei e reafirmo aqui que a taxa de conversão da cevada em álcool é de 0,216 L/kg, e de milho em álcool é de 0,388 L/kg. E o sofista responde com as taxas de rendimento “na composição do extrato originário”, o que nada tem a ver com conversão em álcool. Os dados, em todo caso, podem ser encontrados por exemplo no estudo “Culturas energéticas e o etanol”, de Tiago Mateus. O leitor interessado também pode encontrar os dados de importação e exportação emwww.cnpt.embrapa.br ou www.quercus.pt e com isso repetir os meus cálculos. Cuidado, deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), pois está sendo ultrapassado desavergonhadamente em seu recorde mundial.
3) Inverdade, eufemismo (Machado de Assis, “A Semana”). Diz o buzina que “as cervejarias brasileiras de primeira linha não usam conservante (…) porque é ilegal”. Será que a legislação brasileira é diferente para cervejas de segunda linha? E quais são as cervejas de segunda linha que, de acordo com a legislação brasileira, podem legalmente intoxicar os brasileiros com conservantes?
4) Embuste, quando é calculada para enganar. Diz o passavante que conservantes não são usados por serem desnecessários. Então para que servem o antioxidante INS 315 e o estabilizante INS 405, como se lê em letras miúdas de quase todos os rótulos de cervejas da AmBev e das demais cervejarias nacionais? Será que a mudança de nomenclatura de “conservante” por seu sinônimo, “estabilizante”, satisfaz o legislador brasileiro? Será que o sarabatana estaria chamando o brasileiro de analfabeto, incapaz de ler o rótulo, ou de idiota, pois incapaz de entender o que lê?
5) Patarata é mentira com basófia, ostentação. Diz o estafeta que o lúpulo que é usado no Brasil vem da Alemanha e dos EUA e, portanto, é tão bom quanto o usado naqueles países.
Mais uma vez ofende a inteligência do leitor da Folha e do brasileiro em geral. Importamos vinhos de excelente e de péssima qualidade da França, da Itália etc. Os de baixa qualidade são mais baratos. Importamos bons e péssimos filmes dos EUA.
A diversidade da qualidade do lúpulo alemão é, reconhecidamente, enorme. As cervejas americanas são quase tão “leves, refrescantes e digestivas” e homogeneamente banais quanto as brasileiras. Que o leitor experimente uma dessas vulgares cervejas americanas. (Aliás, se alguém precisa de digestivo, é melhor tomar sal de fruta Eno do que cerveja da AmBev. E o gosto não é muito diferente). Então por que as boas cervejas belgas, inglesas e alemãs que usam lúpulo de boa qualidade não precisam de antioxidantes e estabilizantes?
6) Intrujice, quando se abusa da credulidade de fraternos. E, agora, o maior dos sofismas, o abuso repugnante de um sentimento de brasilidade dentro da mesma técnica que a AmBev elabora suas indecorosas propagandas televisivas, que induzem o cidadão desavisado a consumir suas cervejas pela associação com objetos de desejos primitivos: carros de luxo, mulheres seminuas, fartos banquetes, ou seja, a peta da promessa de sucesso.
Os pífios argumentos do recadista apenas comprovam o baixo nível ético da empresa que o emprega.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

1948 - Primeiro McDonnald's

Em 1940, Maurice e Richard ("Mac" e "Dick") mudou  restaurante McDonald de seu pai, de Monróvia para San Bernardino, Califórnia. O restaurante foi rebatizado "McDonald Barbeque Famous" e serviu mais de quarenta itens barbequed.

Depois que os irmãos perceberam que a maioria de seus lucros vieram de hambúrgueres, eles fecharam seu drive-in para estabelecer um menu simplificado de hamburgeres, cheeseburgeres, batatas fritas, shakes, refrigerantes e torta de maçã.

O nome do restaurante foi novamente alterado, desta vez para simplesmente "McDonald's", e reabriu as suas portas em 12 de dezembro de 1948.







quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BBB - BIG BROTHER BRASIL

BIG BROTHER BRASIL

(Luiz Fernando Veríssimo) será? Não sei...

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.


Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.


Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?


Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..


Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.


Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.


O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.


E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!


Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?


(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)


Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.


Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós.. , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Enviado por: Simone Corrêa - Ibatiba/ES